sexta-feira, 11 de março de 2016

Resenha - Revival (Stephen King)




Sinopse: Em uma cidade na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldados de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda , ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.

Revival é uma história sobre perda, pura e simplesmente. A partir daí você encontra a perda em fatores como fé, juventude e amor. Tudo isso gerado através de vícios e mortes.

É uma história que tinha tudo para ser mais um clássico de King, porém a narrativa arrastada no desenvolvimento da história freia o impeto de prosseguir, mas é só isso.

Os desenvolvimento dos personagens, em suma os dois protagonistas, no entanto é incrível.

A história é narrada ao longo de 50 anos da vida do Reverendo Jacobs e seus encontros e desencontros com o protagonista Jamie Morton, um homem comum, residente no Maine, estado norte-americano que ambienta a maior parte dos romances de King. O Maine também faz parte da Nova Inglaterra, mesma região onde ficam as cidades lovecraftianas de Arkham, Dunwich e Innsmouth.

O livro foca Charles Jacob como um homem que perdeu a fé em Deus e a substituiu pelo amor à eletricidade; Jaime Morton luta com seus próprios demônios em pó, injetáveis ou líquidos, enquanto deixa escapar pelas mãos a chance que tinha para ser um excelente músico numa banda de rock. Revival é sobre segundas chances, sobre fé, música e sobre um tempo que já se passou e agora vive na memória dos que hoje são velhos o suficiente para pensar nas décadas passadas com nostalgia.


King afirmou, em entrevistas, que tinha se inspirado em “O Grande Deus Pã” de Arthur Machen e em “Frankenstein” de Mary Shelley. As referências a obras de terror vão desde as mais sutis às óbvias (há uma personagem chave chamada Mary, cuja mãe tem o sobrenome Shelley e cujo filho se chama Victor), Porém, uma influência que salta aos olhos, principalmente no final, é baseada no Mythos – em especial no clima narrativo de H. P. Lovecraft, o grande referenciado pelo livro , e em elementos de Robert Bloch. Vale lembrar que “O Grande Deus Pã” de Machen também foi uma das fontes de inspiração para Lovecraft. As menções a seu grimório fictício, o Necronomicon, e toda a cena do clímax corrobora e homenageia a mitologia criada por Lovecraft, aumentando o ar verossímil da história. Verossimilhança esta que é uma das grandes qualidades da obra. Menções a bandas de rock, ao Wikipédia, a Vin Diesel e Justin Bieber (É isso mesmo que você leu!) tornam o livro atual e completamente calcado em nosso mundo, e quando o narrador nos incita a fazer uma pesquisa no Google para checar com nossos próprios olhos uma das informações passadas por ele sobre um determinado personagem, e a pesquisa realmente bate, o livro deixa no ar um delicioso tom de história real.


"A ideia para este livro está na minha cabeça desde que eu era criança. Frankenstein, de Mary Shelley, foi uma grande inspiração para mim. Eu queria criar uma história o mais humana possível, porque a melhor maneira de assustar o leitor é fazê-lo gostar dos personagens." - Stephen King em entrevista para a revista Rolling Stone.

"Ler Revival é ver um grande contador de histórias se divertindo ao máximo. Todos os elementos favoritos de King estão presentes: uma cidade pequena no Maine, o sobrenatural, o mal, o vício e o poder de se transformar uma vida." - The New York Times.


"O final deste livro foi considerado o mais assustador que Stephen King já escreveu - o que é impressionante, já que se trata do autor de Carrie, a estranha." - The Guardian.



O livro possui trechos que ficaram na minha memória por toda a leitura, de certa forma da pra sentir a dor do personagem e aposto que o leitor vai logo se identificar quando o trecho lhe chegar aos olhos. Eu terminei de ler o livro ontem e o final ainda está bem fresco na minha memória, Lovrecraft teria orgulho.

Mais uma vez King nos presenteou com uma obra contendo personagens críveis, convincentes e cativantes, uma narrativa de alto nível, e diálogos deliciosos de se ler.

Por volta de quase metade do livro que temos indícios de algo sobrenatural, e por isso, ao menos para mim, o livro melhora ainda mais. Aconselho aos leitores a lerem as últimas trinta páginas aterrorizantes de uma vez só, porque nelas se encontram um dos melhores momentos finais de um livro do King.

Outro conselho ao leitores: Para um melhor aproveitamento da obra, leiam antes de Revival alguns trabalhos de H.P. Lovecraft, mais especificamente os mitos de Cthulhu.

Revival é altamente recomendado ao fãs do gênero.
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