terça-feira, 19 de julho de 2016

Mácula da Sanidade - Parte 4

Manuscrito em Sangue


Segundo a ficha de internação, Ardois Bonnot era filho único de Louise Anne e Thyerre Bonnot. Seu pai, assim como o irmão dele Giancarlo Bonnot, era conhecidos ladrões de grandes valores. Suspeitos de assaltarem desde bancos do interior da França até mansões de luxo, assim como a do Dr. Noble e sua esposa.

Ardois havia sido internado a pouco mais de duas semanas após ser encontrado delirando e aos prantos no Porte de Maguelone em Montpellier, o relatório do policial que o encontrou dizia que Ardois praguejava a respeito das cores estarem erradas e que inclusive havia tentado o ferir atingindo seu olho com um instrumento pontiagudo, que não foi encontrado após a confusão.

Para os médicos, a principio ele sofria de distúrbios de personalidade e um quadro de psicose latente. O que particularmente tornava as coisas muito mais intrigantes é que, os diagnósticos do Dr. Noble, marido da vítima e médico que cuidava do caso dele, estavam em branco.

Da sala do diretor até o isolamento onde Ardois esteve internado foram cerca de 6 minutos de prantos e ranger de dentes, uma cacofonia constante tomava conta daquele lugar. Cada corredor e escadaria parecia emanar uma impressão de agonia, mas ao observar meus dois companheiros, Marchan e Ezekias, eu percebi ser o único incomodado com aquele ambiente. Nunca havia estado em um lugar tão perturbador em toda minha vida.

A enfermeira, acostumada com aquela loucura, seguia inabalável pelo corredor mal iluminado que terminava no quarto de Ardois Bonnot, ali o mistério começava a tomar forma.

A umidade reinava naquele pequeno curral humano, lodo escorria por cima da porta e o chão só não era mais sujo que a tampa da latrina. porém nada daquilo impressionava mais que as paredes ao nosso redor. Era como se estivéssemos contemplando uma exibição Tenebrosa de Doré em exposição nas catacumbas de paris.

Estranhos escritos na parede em frente a porta eram as boas vindas ao aposento. O que parecia ser uma frase de recepção deixada pelo, até então, lunático Ardois Bonnot não eram garranchos desestabilizados por dedos nervosos ou conduzidos por uma mente deteriorada. As escritas eram pincelada com precisão e equilíbrios inigualáveis, porém indecifrável para minha limitada capacidade de linguística e, estavam todas manuscritas em Sangue.



- Também estou confuso meu amigo. - disse Marchan apontando em direção aos diferentes destaques das escrituras. - Mas posso perceber que existem diferentes tipos de linguagem aqui.

Ele tinha razão, apesar de tudo parecer em código, haviam muitos tipos de códigos. Letras, Números, símbolos conhecidos e inúmeros desenhos hieróglifos. E tudo aquilo ainda não era o prato principal.

O aposento possuía uma carga ainda mais pesada, estava muito abafado e, a iluminação precária parecia temerosa em expôr a claridade o restante do ambiente. Depois de compreender os detalhes do que teria acontecido ali, eu teria certeza de que na verdade era o ambiente em si que ofuscava a luz.

Em seu espaço limitado, Bonnot havia transformado sua pequena prisão em uma obra de arte, uma moldura de seus horrores que parecia viva aos olhos de seus espectadores.

Enquanto todos absorviam o impacto visual, Ezekias continuava sua explanação a respeito do que havia descoberto sobre A. Bonnot.

"Antes de se juntar a gangue Bonnot, Ardois havia tentado aderir a vida artística como pintor, mas ele nunca conseguiu ascender a fama. Nas palavras de alguns jornais locais seu trabalho em tela era descrito como medíocre e repugnante."

- Repugnante talvez, mas não vejo nada de medíocre nisso.

"Em suas únicas duas exibições ele vendeu apenas 3 de suas 17 obras. Teve uma carreira curta e depreciativa. Após isso ele se voltou para o ofício de tradutor e redator de textos em francês, inglês, aramaico e bávaro."

Junto a o relato Ezekias trazia consigo algumas fotografias com ilustrações das principais pinturas de A. Bonnot.
Não precisava de muita análise para perceber que aquela obra macabra nas paredes do sanatório Arles estava claramente muito acima de sua capacidade, na verdade eu não conseguia pensar em alguém com talento qualificado para algo como aquilo, nem mesmo doré.

A imagem a nossa frente estava em tamanho real e possuía detalhes emoldurados em alto relevo.

No centro da parede havia uma figura imponente de anatomia humana, porém com a sexualidade que eu não conseguia definir. O humanóide estava assentado sobre um trono dourado, era esguio e utilizava vestes desgastadas e uma máscara cromada que cobria quase todo o rosto.
Seus olhos pareciam nascer da máscara e seu olhar transmitia terror e agonia. Em qualquer lugar do aposento seus olhos pareciam me perseguir.

O trono possuía inscrições e, aos seus pés estrelas marinhas jaziam mortas, um detalhe que se percebia olhando mais de perto as pequenas manchas e cortes, alguns desmembrados e outros esmagados. Mais afastada podia-se perceber pequenas sombras que pareciam prostradas ao seu redor, talvez em adoração, dando a impressão de que toda morte ali foi em sacrifício a ele.

Ezekias novamente quebrou o desconfortável silêncio.

- Foi aqui que encontramos os instrumentos e matéria prima que ele utilizou para pintar a moldura na parede.

Num canto escuro abaixo da cama havia uma pequena passagem de ar, uma abertura na parede isolada por uma grade de ferro em 'X'. Do seu interior um odor pútrido sugeria a presença de roedores mortos.

Ezekias nos trouxe uma pequena caixa de porcelana e peças de bronze, nada muito intrigante, seu interior era isolado por uma abertura lateral que se arrastava para abrir.

A caixa é todo o seu conteúdo já haviam sido analisados por alguns estudiosos locais a pedido da delegacia do distrito de Arles.

Apesar da aparência de uma caixa comum, a definição de normal era outro no universo de apetrechos infames dentro da caixinha de porcelana.

O pequeno painel da caixa era separado em 4 partes diagonais e uma vertical, onde havia 10 espaços em circunferência.
Na primeira parte haviam pincéis confeccionados e revertidos rusticamente de couro e pelos de animal.
Na segunda parte dois instrumentos que bastante afiados que pareciam estiletes, os dois criados a partir de ossos.
Na terceira parte haviam pequenos objetos redondos de diferentes tamanhos entre si, alguns ressecados e outros viscosos. Pareciam olhos e talvez fossem.
Na quarta parte não havia além de uma chave de bronze já oxidada.
Na parte vertical, as circunferências estavam preenchidas de líquidos e pastas que pareciam representar uma paleta de cores.
Bile Negra, Bile amarela, Fleuma, Sangue e etc...
Segundo os especialistas todas as substâncias ali poderiam ser encontradas no corpo humano.

Após algum tempo ali, saímos com mais perguntas do que respostas.
Voltamos para Marsella analisando os relatórios enquanto Ezekias em silêncio nos conduzia de volta ao distrito de Saint Giniez.

Não era difícil saber o quão próximos estávamos, cada kilômetro mais perto do distrito, maior era o cheiro de maresia.

- Lamar as horas já são muito avançadas. Vou pedir que Ezekias me deixe em casa e depois quero que vá com ele até a Delegacia, faça o registro dos relatório dos especialistas do distrito de Arles e depois faça o mesmo que eu.

- Eu acho que vou analisar com mais cuidado antes de dormir.

- Não volte muito tarde para seu apartamento.

- Eu já sou bem crescidinho Inspetor. - respondi esperando um pouco de sarcasmo, mas Marchan não estava falando nesse sentido.

- A Noite é escura e cheia de horrores meu jovem.

As palavras dele me atingiram como uma flecha de gelo.

- O que isso significa Inspetor?

- Apenas algo que li em algum livro ou revista. Apenas faça o que eu disse Lamar, vá descansar.

Eu não obedeci, como de costume.
No dia seguinte ele me acordou no escritório com uma xícara de café. Passamos o resto da semana sem novidades, até que tivemos uma.

Um especialista em linguística havia decifrado partes das inscrições com o que ele definiu ser uma sentença.

"Eu cumpri minha pena e agora eu vou sair."

Na manhã seguinte recebemos um comunicado da polícia de Arles.
Bonnot foi visto invadindo o sanatório, oficiais foram chamados para conter a situação mas não o encontraram.
O quarto em que ele havia sido isolado porém, havia sido destruído, as pinturas na parede haviam desaparecido e a abertura abaixo da cama onde foi encontrado a caixinha de porcelana estava arrombada.

Não ouvimos falar mais de Ardois Bonnot por um bom tempo, até o dia em que ele apareceu no nosso escritório.

Confira a história toda na sessão Contos & Mythos

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Os Melhores Livros sobre Zumbis


Super interessantes, que prendem você a cada pagina lida, historias surpreendentes que te enchem de medo e curiosidade. A maioria dos livros sobre zumbis são mais sobre os sobreviventes do que sobre os monstros em si, e aqui você vai encontrar de tudo, desde intrigas políticas até romances góticos inoportunos em meio ao fim do mundo (Os livros não estão em ordem de importância).


Frankenstein: Mary Shelley


Mary Shelley, desafiada a escrever um conto sombrio e fantasmagórico, deu vida a um cientista e sua criatura, sua obsessão, seus sentimentos e escolhas, ações tão complexas cujas conseqüências arrastariam com ele - num turbilhão de angústia, morte, consciência, vingança e dor - todos os ideais, a moral e os seres que mais amara.

Victor Frankenstein era jovem, acreditava na ciência e no progresso. Ah, a ciência, o moderno Prometheus do título buscando o fogo sagrado do conhecimento, desejoso de “roubar” o dom de criar a vida. Era curioso, ousado, não teve medo, não teve pudor e, obcecado por sua experiência, rompeu limites enquanto sonhava a imortalidade para o homem. Victor Frankenstein desejava vencer a morte.

“Eu seria o primeiro a romper os laços entre a vida e a morte, fazendo jorrar uma nova luz nas trevas do mundo (...). Ressurreição! Sim, isso seria nada menos que o poder de ressurreição.”

E ele o fez. Criou a vida a partir de matéria morta. Mas ao conseguir, se revelou fraco, amoral e medroso. Ao criar a vida e com ela, uma das criaturas mais comoventes e sombrias da literatura universal, simplesmente fugiu. A criatura, que posteriormente seria conhecida pelo nome do seu criador, não trouxe consigo a beleza, e justamente essa ausência do belo a tornaria horrenda aos olhos dos homens, uma presença do “feio” que despertava reações de agressão e perseguições. No entanto, era sensível, sofria, aprendeu sozinha as lições que o mundo lhe deu.

“Eis que, terminada minha escultura viva, esvaía-se a beleza que eu sonhara, e eu tinha diante dos olhos um ser que me enchia de terror e repulsa.”

O “monstro” gigantesco e horrendo, apresenta-se de forma complexa, alternando comportamentos de mais pura bondade e desejo de aceitação para, com a rejeição da sociedade, desenvolver um comportamento cruel e vingativo.

"(...) ferido pelas pedras e toda sorte de objetos, que me arremessavam, fugi para o campo aberto e, cheio de medo, busquei refúgio numa cabana acachapada."

Assim como Victor, que ora nos convence e até comove a ponto de ter a simpatia do leitor, por vezes nos enerva e causa revolta, a criatura nos assombra, nos enche de melancolia e espanto. Estes dois personagens não são planos, Mary Shelley os fez de forma que podem nos levar a sentimentos opostos em poucas linhas.

"Também eu posso criar desolação! O que me fizeram com a vida, pago com a morte. Meu inimigo não é invulnerável. Esta morte há de causar-lhe desespero, e mil outras desgraças o atormentarão até destruí-lo."

Criador e criatura, quem seria de fato o monstro? Não posso negar que me fiz essa pergunta algumas vezes durante a leitura.




Herbert West – Reanimator: H. P. Lovecraft


"Herbert West Re-Animator" escrita originalmente por H.P. Lovecraft foi publicada na forma de uma série de contos curtos em jornais e revistas mensais entre outubro de 1921 e junho de 1922.


Contada do ponto de vista de um narrador não identificado, a estória tem uma tétrica introdução:

"De Herbert West, que foi meu amigo na universidade e na vida posterior, só posso falar com extremo terror. Esse terror não se deve de modo algum à maneira sinistra pela qual ele desapareceu recentemente, sendo resultado da natureza geral do trabalho de sua vida, que na sua forma mais aguda, conheci pela primeira vez há mais de dezessete anos, quando cursávamos o terceiro ano da Escola de Medicina da Universidade Miskatonic, em Arkham".


A estória apresenta um estudante de medicina que se envolve com o notório, porém brilhante, Dr. Herbert West, o protagonista que dá nome ao conto. A fama de West decorre de suas experiências mórbidas com animais mortos e com o desenvolvimento de uma fórmula química por ele inventada, capaz de reanimar tecido morto e conferir às suas cobaias um aspecto de vida. Em sua arrogância, West acredita que seu experimento um dia será capaz de trazer humanos mortos de volta à vida, essencialmente tapeando a morte. É sobre as experiências de West e seu colega que trata o conto, concentrando-se na gradual loucura que se apossa de West. Em meio à sua obsessão, ele acaba recorrendo a artifícios imorais e antiéticos como roubar corpos do necrotério e injetar sua fórmula em pessoas inocentes. À medida que seus experimentos falham, West parece disposto a qualquer coisa para vencer a morte, inclusive se alistar no Corpo Médico durante a Grande Guerra a fim de ter à sua disposição um sortimento interminável de cadáveres frescos.


Eu sou a lenda: Richard Matheson


É 1976. Sete meses atrás uma pandemia transformou os seres humanos em predadores movidos pela sede de sangue. Até onde sabe, Robert Neville foi o único não afetado pela doença. Esta é a história de sua sina, e de como ele convive com ela.





Eu sou a lenda não é um livro tão influente à toa. Pra começar, as 16 páginas iniciais foi tudo que Richard Matheson precisou para nos mergulhar na rotina monótona e solitária de Robert Neville, e nos tornar tão prisioneiros quanto ele do inferno que o cerca quando a noite cai e “eles” voltam a amotinar sua casa. De cara dá pra notar o quanto a história influenciou desde os filmes de George Romero até as obras de Stephen King, que escreveu o prefácio da edição da Aleph.


Matheson traçou um cuidadoso retrato da dolorosa e claustrofóbica solidão de um homem que se vê como o único dotado de racionalidade e livre arbítrio em seu mundo. O realismo com que descreve o cotidiano solitário de Neville é o que faz do livro uma jornada literária inesquecível. Sua escrita possui uma sobriedade pungente e uma precisão exemplar, e jamais perde de vista o ser humano cuja história está narrando.





O Cemitério: Stephen King


"O Cemitério" (Pet Sematary no original) é conhecido por ser o livro que Stephen King supostamente "achava tão assustador que não devia ser publicado", e esse comentário se tornou a base para toda a campanha de marketing por traz do lançamento do livro. Isso e o fato do autor se negar a participar da campanha, dar entrevistas ou apoiar sua divulgação.

Em uma entrevista dada no ano seguinte ao lançamento de "O Cemitério", King disse, "Se eu pudesse escolher, provavelmente não teria publicado esse livro. Eu não gosto dele. É um livro terrível - não pela escrita, mas pelo conteúdo profundamente dark. Ele parece dizer que no final das contas não há esperança, que nada que se faça no final vale a pena, e eu realmente não acredito nisso".

O livro se inicia quando Louis Creed e sua família - a esposa Rachel, a filha Ellie, e o bebê Gage, se mudam de Chicago para uma casa em Ludlow, no Maine onde Louis assume o emprego como chefe de Enfermaria na universidade. A infame Rota 15 passa bem em frente de sua casa, o que deixa ele e sua esposa apavorados de ter que atravessar a rodovia e topar com um caminhão a alta velocidade. Do outro lado da estrada vive um simpático idoso chamado Jud Crandall e sua esposa, Norma. Os Creed rapidamente se acomodam em seu paraído suburbano, até que o gato de Ellie, Churchill, é atropelado por um automóvel na Rota 15. Sabendo que Ellie vai ficar devastada pela morte de seu bichinho de estimação, Jud leva Louis através da floresta "para lhe fazer um favor" .






As crianças das redondezas construíram um cemitério para animais que morrem na autoestrada, o "Semitério de Bichos", o lugar fica bem atrás da casa dos Creed, numa área selvagem de Ludlow. Acontece que mais atrás, oculto por uma barreira natural existe um cemitério indígena construído pela tribo Micmac há séculos. Louis enterra Churchill nesse lugar sinistro, e o gato acaba voltando à vida.

Mesmo que você, assim como eu, tenha visto o filme, não pense que ler o livro não terá graça por conta dos spoilers de conhecer a estória. Muito pelo contrário, ler "O Cemitério" é muito mais gratificante, talvez até por saber como as coisas vão terminar a sensação de temor acaba sendo amplificada. Logo após terminar o livro, decidi assistir "O Cemitério Maldito" no final de semana de Halloween, o filme continua legal, mas não chega aos pés do livro.

A maneira como "O Cemitério" faz com que encaremos a dura face da perda é por si só assustadora, mas não menos intrigante. Eu repito várias vezes que a obra de Stephen King tende a ser inconstante e que para cada 5 livros publicados, ele acerta em apenas um. Mas neste em particular, ele acerta em cheio, tecendo uma fábula de horror moderna simplesmente aterrorizante que vale a pena ser lida.


A Floresta de Mãos e Dentes : Carrie Ryan




A história é sobre Mary, uma jovem que vive numa aldeia temente à Deus e cega pela ignorância após a praga da infecção zumbi ter assolado o mundo. A aldeia é cercada por grades de metal que protegem seus habitantes dos Esconjurados – como a aldeia chama os zumbis – que vivem todos numa floresta densa e misteriosa que ninguém jamais ousou cruzar. Alguns contam histórias sobre o que há além daquelas árvores e, um desses “alguns” é a mãe de Mary, que passa todas as suas esperanças de um local intocado pela praga para sua filha. E, por isso, Mary é um jovem sonhadora, que vive contando histórias para todos sobre o oceano, que ela diz ser um lugar intocado por tudo aquilo que os apavora.

Essa sociedade pós-apocalíptica tem como “líderes” as Irmãs, que mexem com as cabeças de todos os aldeões, falando sobre Deus e como os que viviam antes do Retorno o irritaram. Elas comandam também os guardiões, uma espécie de guardas que vigiam as redondezas e cuidam para que nada saia do controle – além de garantir a ordem se algo sair dos trilhos. As pessoas não sonham, como Mary, e continuam a sobreviver, normalmente, como se nunca pudesse existir – ou ter existido – algo além daquilo que eles chamam de vida.

Celular : Stephen King



Em Celular, Clay Riddell é um desenhista de histórias em quadrinhos em ascensão. Em uma viagem à negócios, ele deixa sua ex-esposa e o filho pequeno noMaine, enquanto aguarda em Boston num dia de verão, até que o inferno instala-se no local. De repente, todos as pessoas que estavam usando o aparelho celular enlouquecem num ataque que poderia ser descrito como zumbi.

O cenário pode parecer completamente irreal, mas assim também acontece aos olhos do protagonista. Ao observá-lo em ação, sentimos como se aquele mundo apocalíptico fosse uma triste (e bizarra) realidade, nos deixando mais próximos e solidários aos dilemas de Riddell. Não demora para um tornar-se três, formando um trio improvável de aventureiros, completo com a presença de Tom McCourt e Alice Maxwell, uma adolescente de 15 anos. Ademais, cada personagem, por mais passageiro e secundário que seja, deixa sua marca de forma vital e necessária para a completa contextualização do que está ocorrendo, sem despropósitos ou cenas descartáveis.

Inseridos na jornada de Clay e seus amigos em direção ao Maine, o trio, e o leitor, depara-se com o que a humanidade pode fazer de pior, e descobrem até que ponto os seres humanos e o seu instinto de sobrevivência podem chegar quando ameaçados. Vemos uma realidade onde os inimigos não são apenas os mortos-vivos (conhecidos na história como fonáticos), algo que não estaria muito longe do que encontraríamos caso defrontados por um cenário apocalíptico.

Em meio ao desespero, King adentra questões sobre a natureza humano e sua inclinação para o bem e para o mal, além da importância de laços sólidos para nos manter firmes em situações limites. Claramente escrito por alguém com extremodomínio e habilidade, é certo que a narrativa hipnótica e marcante do mestre do terror consegue envolver até as mentes mais inquietas. Publicado em 2006 nos Estados Unidos, King declara, ao final do livro, não possuir um aparelho celular.

Sangue Quente : Isaac Marion



R é um zumbi meio diferente dos outros que se encontram naquele meio. Ele não se lembra de nada do que aconteceu com sua vida e de todos, só de acordar e encontrar-se morto. Não lembra de seu nome verdadeiro, os momentos importantes de sua vida, nele ainda possui algo diferente, algo que o faz recordar um pouco de sua consciência. Uma espécie de morto com sentimentos, até mesmo na hora de se alimentar. Sim! Falo de cérebro.

“Estou morto, mas isso não é tão ruim. Aprendi a conviver com isso. Desculpe não me apresentar da forma correta, mas não tenho mais um nome. Dificilmente algum de nós tem um. Nós os perdemos, como perdemos chaves de carros, os esquecemos como esquecemos de alguns aniversários. O meus talvez começasse com R, mas isso é tudo que sei.”

Até que ele e um grupo de zumbis saindo para alimentar, acaba sentindo cheiro de humanos e esbarrando com uma menina, ou melhor, Julie, que fará o coração do zumbi voltar a bater. O mesmo acontece com ela, meio com medo, acaba indo com R para seu esconderijo, para que ali possa ficar viva. Com os outros zumbis, sua falta de articulação, momentos em que ele rasteja, lamentando sempre quando precisa consumir carne humana para viver. É nesse meio termo que ele pode tentar se sentir meio vivo.

“(…)Seus lábios estão comprimidos e pálidos.Aponto para ela, para minha boca e depois para os meus dentes tortos e ensangüentados. Faço que não com a cabeça. Ela se encolhe para perto da janela. Um grito de terror começa a aparecer na garganta dela. Isso não está dando certo.– Segura – falo para ela, soltando um suspiro. – Manter… você segura.”

É nesse contexto que prosseguimos com a narração de R, Julie e ambos os pensamentos de tentar salvar esses zumbis de uma morte. Ambos não esperavamos que iriam se apaixonar, é rico a forma que o autor descreve seus personagens e como R narra todo o enredo. A visão dele é muito interessante uma vez que não estamos acostumandos com uma narração meio estranha. O desenvolvimento da narrativa se desenvolve depois que ele come o cérebro de Perry- namorado de Julie, revivendo momentos de sua vida humana.

Fiquei apegado em toda narrativa, os sentimentos de R com Julie, até mesmo nos momentos que ele começa a lembrar da vida humana e a força que ambos repassam um para o outro é tamanha. O final do enredo é para deixar qualquer leitor querendo mais aventura e em descobrir o que aconteceu com o futuro dos personagens.

Em meio ao caos, um mundo morto, dividido e sem saber realmente os motivos do vírus ter matado grande parte da população o enredo flui muito bem. A diagramação da editora LeYa, tradução e capa, refletiram o contexto verdadeiro do que iremos encontrar na leitura de Sangue Quente. Depois de assistir ao filme, percebi a fidelidade quanto ao livro.

Se você ainda não leu, corra para uma livraria mais próxima. Confesso que vocês não vão se arrepender, pelo contrário, irão aprender com R e Julie em um romance apocalíptico zumbi.


Guerra Mundial Z : Max Brooks



Se você assistiu ao filme baseado no livro Guerra Mundial Z, provavelmente saiu do cinema pensando: “Foi impagável ver milhões de zumbis devorando a humanidade. A história é bem fraquinha, mas a ação é sensacional.” Pois bem, quando você fechar o livro, depois de ler a última linha, vai dizer: “Foi impagável ler sobre milhões de zumbis levando a raça humana à extinção. A história, então, é uma das melhores já escritas”.

O autor Max Brooks (que também escreveu o indispensável Guia de Sobrevivência a Zumbis) entrega a você tudo o que uma pessoa pode querer de um apocalipse zumbi. Brooks acerta em cheio ao usar um tom de entrevista para narrar a quase extinção da raça humana. O livro apresenta a você o relato de vários personagens, entrevistados por um funcionário da ONU. Cada personagem – que são de todo o tipo possível: militares, civis, políticos, médicos – tem sua própria história de sobrevivência num mundo dominado por zumbis. Desde o Paciente Zero até a retomada do mundo pelo homem, Brooks envolve o leitor com uma história que parece realmente ter acontecido, tão rica em detalhes ela é.

É exatamente aí que Brooks faz da leitura de Guerra Mundial Z algo único. A quantidade de detalhes na história é surpreendente. O autor não deixa passar nada. Brooks não mostra a você apenas as batalhas (tão gigantescas que são dignas de uma Terceira Guerra Mundial) que o homem enfrenta ao lutar contra uma infestação zumbi em proporções mundiais. Vai muito além disso. O livro mostra impecavelmente o psicológico mundial diante da extinção: como o homem luta com unhas e dentes para sobreviver à extinção e como a humanidade tropeça em seu caminho para fora da lama, tentando se restabelecer como a espécie dominante do planeta.

Brooks pensou em tudo o que poderia acontecer durante um apocalipse zumbi. Desde como o exército responderia à ameaça de um interminável exército de mortos vivos, até como os cachorros (sim, ele pensou no papel dos cachorros) seriam essenciais para a raça humana. São mostradas com maestria as diversas formas que os governos dos países responderiam, quais seriam as táticas de batalha, como a sociedade se modificaria durante e após a Guerra. Embora seja difícil formar um elo emocional concreto com os diversos personagens – uma vez que você é apresentado a um personagem diferente a cada capítulo – isso acaba não afetando o incrível resultado final. O personagem principal de Guerra Mundial Z é a raça humana: e, levando por este aspecto, você se identifica com o ser humano a cada página.

Guerra Mundial Z é um dos livros mais geniais e intensos que você vai ler. A quantidade de detalhes é imensa e, no final, você acaba pensando que os relatos são reais, tão bem elaborados e escritos eles são. É uma obra rica, acompanhada de uma das leituras mais prazerosas e bem estruturada que você vai ter o prazer de ler.


Feed : Mira Grant


Mira Grant e o seu romance “Feed” foi um dos finalistas do Hugo Awards de 2011. Mira Grant é o pseudónimo para este romance de zombies de Seanan McGuire, uma autora de ficção fantástica urbana com várias novelas publicadas.

Que tipo de história se poderia esperar de uma mulher que vive numa casa com diversos gatos, filmes de terror, comics e livros sobre doenças terríveis, dirige cursos de virologia e dorme com uma machadinha debaixo da almofada? Um romance sobre Zombies, claro!

“Feed”, á parte um capítulo inicial sobre um ataque de Zombies e outras cenas semelhantes, não é propriamente um romance em que os zombies são personagens centrais. Eles são o pano de fundo em que o tema se desenvolve.

Numa daquelas situações em que a humanidade quer ser mais esperta do que qualquer Criador, um vírus é libertado que transforma em zombie qualquer mamífero acima de um determinado peso.

Um grupo de jovens bloggers é convidado para acompanhar um dos candidatos republicanos americanos nas primárias e depois na corrida presidencial.

O thriller que se desenvolve envolve os habituais complots pelos derrotados e grandes poderes, traições imprevisíveis, acção em grandes doses e mortes heróicas.

“Feed” lê-se com desenvoltura e agrado mas sempre com a sensação que muito mais poderia ter sido tentado.

Numa sociedade que tem de viver com gigantescas medidas securitárias como ficam os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Quais são os grandes temas da sociedade pré-zombie que desapareceram e quais os que apareceram para os substituir? O gigantesco folclore das campanhas presidências americanas pode continuar a existir ou tem de dar lugar a outras formas de comunicação e angariação de fundos?

Alguns destes temas surgem ao longo desta acção política que vai atraindo o leitor. As personagens, talvez demasiado previsíveis, são todavia muito emocionais. A tão debatida questão de saber se a imprensa tradicional vai substituída pelos bloggers com a sua parafernália tecnológica é também um dos temas centrais do livro que curiosamente mostra a eterna procura dos índices de audiência e de vendas transportada agora para o mundo da internet.

São os homens os verdadeiros vilões da história e não os zombies. Estes são apenas as novas armas nas mãos dos que procuram a conquista do poder por qualquer meio.

Este é o primeiro volume desta trilogia de Mira Grant. Aguardemos para ler os restantes e ver se a autora consegue manter uma acção aditiva com personagens menos estereotipados e previsíveis e se surgem temas mais desenvolvidos neste nova sociedade de infectados pelo vírus.


Ex-Heróis : Peter Clines




Stealth. Gorgon. Regenerator. Cerberus. Zzzap. Mighty Dragon. Eles eram heróis usando suas habilidades sobre-humanas para fazer de Los Angeles uma cidade melhor e mais segura. Até que uma terrível praga mortal se espalhou pelo mundo. Bilhões morreram, e hordas de zumbis levaram toda a civilização à ruína. Um ano depois, Mighty Dragon e seus companheiros são os protetores dos sobreviventes, refugiados em um estúdio de cinema transformado em fortaleza, o Monte. Assustados e traumatizados, os heróis combatem os vorazes exércitos de ex-humanos nos portões, lideram equipes para procurar por suprimentos e lutam para serem verdadeiros símbolos de força e esperança. Porém, os famintos ex-humanos não são as únicas ameaças que os heróis devem enfrentar. Velhos aliados, com poderes e mentes horrivelmente destorcidas pela morte, ocultam-se nas ruínas da cidade. E apenas poucos quilômetros os separam de outro grupo, lentamente acumulando poder e liderado por um inimigo coma habilidade mais aterrorizante de todas.

O livro pode parecer confuso, e você pode se perguntar: "Mas espera aí! Zumbis x Heróis. De início a ideia pode gerar uma certa estranheza mesmo, afinal, pelo menos eu, nunca tinha visto nada parecido. Mas enfim, eu achei muito criativa esta ideia de unir estes dois mundos. Não ficou brega, não ficou esquisito, e não ficou chato, pelo contrário. Achei que o autor conseguiu muito bem mesclar os dois universos sem parecer muito forçado ou parecer que um mundo não estava à vontade com o outro.

Os zumbis não ficam para trás não. Claro, não há muito o que falar. Eles ficam por aí se rastejando, batendo os dentes e estendendo as mãos para qualquer pedaço fresco de carne que apareça em sua frente. Ah, em nenhum momento eles são chamados de zumbis no livro, e sim de ex's. Essa denominação surgiu desde o inicio do contágio e ficou. Isso porque eles são ex-humanos.

Quase ninguém usou a palavra "zumbi". Foram chamados de "ex" desde a primeira conferência de imprensa presidencial. Isso fez com que a situação se tornasse mais fácil de ser aceita, de alguma forma. Os ex-vivos. Ex-pessoas. A maioria ainda se parecia com humanos. Normalmente, os não lesionados e os mais novos que ainda não tinham se alimentado.Mas os heróis não tem que lidar apenas com a ameaça dos ex's e a incerteza da sobrevivência. Eles tem que lidar com os seres humanos também, o que pode ser bem pior. Há um grupo que se denomina Seveentens's e causam uma grande dor de cabeça. Eles guardam segredos, e serão uma surpresa para nossos heróis. Este livro tem muitas sutilezas também, e uma tristeza latente.

Gostei muito do livro, e fiquei surpreendido com a trama tão boa, em muitos pontos até mesmo inusitada. Gostei da narrativa forte e consistente de Clines; de seus personagens que, apesar de serem heróis, tem suas dificuldades e defeitos. Um ponto alto para mim foi o fato de que o autor não se contentou apenas no batidozumbis x ser humano, ou no caso zumbis x heróis, ele foi além. E fiquei de boca aberta com a causa e o início da propagação do vírus que fez todo o mundo desmoronar. Sinceramente, não esperava!

Há cartazes de advertência, pronunciamentos das autoridades públicas e reportagens. No entanto, as pessoas ainda se apegam à impossibilidade da existência de mortos-vivos, enquanto eles se avultam sobre suas cabeças, atacam suas casas e devoram seus vizinhos. Soldados, policiais e cidadãos se obrigando a acreditar que os ex's estão apenas infectados com alguma doença curável, apesar de todas as evidências, ao invés de tomar as medidas necessárias. Eles não vão aceitar a verdade. Eles não vão reagir a ela.

"O surto não será contido. É tarde demais.
O mundo, como nós o conhecemos, acabou."

sexta-feira, 11 de março de 2016

Resenha - Revival (Stephen King)




Sinopse: Em uma cidade na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldados de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda , ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.

Revival é uma história sobre perda, pura e simplesmente. A partir daí você encontra a perda em fatores como fé, juventude e amor. Tudo isso gerado através de vícios e mortes.

É uma história que tinha tudo para ser mais um clássico de King, porém a narrativa arrastada no desenvolvimento da história freia o impeto de prosseguir, mas é só isso.

Os desenvolvimento dos personagens, em suma os dois protagonistas, no entanto é incrível.

A história é narrada ao longo de 50 anos da vida do Reverendo Jacobs e seus encontros e desencontros com o protagonista Jamie Morton, um homem comum, residente no Maine, estado norte-americano que ambienta a maior parte dos romances de King. O Maine também faz parte da Nova Inglaterra, mesma região onde ficam as cidades lovecraftianas de Arkham, Dunwich e Innsmouth.

O livro foca Charles Jacob como um homem que perdeu a fé em Deus e a substituiu pelo amor à eletricidade; Jaime Morton luta com seus próprios demônios em pó, injetáveis ou líquidos, enquanto deixa escapar pelas mãos a chance que tinha para ser um excelente músico numa banda de rock. Revival é sobre segundas chances, sobre fé, música e sobre um tempo que já se passou e agora vive na memória dos que hoje são velhos o suficiente para pensar nas décadas passadas com nostalgia.


King afirmou, em entrevistas, que tinha se inspirado em “O Grande Deus Pã” de Arthur Machen e em “Frankenstein” de Mary Shelley. As referências a obras de terror vão desde as mais sutis às óbvias (há uma personagem chave chamada Mary, cuja mãe tem o sobrenome Shelley e cujo filho se chama Victor), Porém, uma influência que salta aos olhos, principalmente no final, é baseada no Mythos – em especial no clima narrativo de H. P. Lovecraft, o grande referenciado pelo livro , e em elementos de Robert Bloch. Vale lembrar que “O Grande Deus Pã” de Machen também foi uma das fontes de inspiração para Lovecraft. As menções a seu grimório fictício, o Necronomicon, e toda a cena do clímax corrobora e homenageia a mitologia criada por Lovecraft, aumentando o ar verossímil da história. Verossimilhança esta que é uma das grandes qualidades da obra. Menções a bandas de rock, ao Wikipédia, a Vin Diesel e Justin Bieber (É isso mesmo que você leu!) tornam o livro atual e completamente calcado em nosso mundo, e quando o narrador nos incita a fazer uma pesquisa no Google para checar com nossos próprios olhos uma das informações passadas por ele sobre um determinado personagem, e a pesquisa realmente bate, o livro deixa no ar um delicioso tom de história real.


"A ideia para este livro está na minha cabeça desde que eu era criança. Frankenstein, de Mary Shelley, foi uma grande inspiração para mim. Eu queria criar uma história o mais humana possível, porque a melhor maneira de assustar o leitor é fazê-lo gostar dos personagens." - Stephen King em entrevista para a revista Rolling Stone.

"Ler Revival é ver um grande contador de histórias se divertindo ao máximo. Todos os elementos favoritos de King estão presentes: uma cidade pequena no Maine, o sobrenatural, o mal, o vício e o poder de se transformar uma vida." - The New York Times.


"O final deste livro foi considerado o mais assustador que Stephen King já escreveu - o que é impressionante, já que se trata do autor de Carrie, a estranha." - The Guardian.



O livro possui trechos que ficaram na minha memória por toda a leitura, de certa forma da pra sentir a dor do personagem e aposto que o leitor vai logo se identificar quando o trecho lhe chegar aos olhos. Eu terminei de ler o livro ontem e o final ainda está bem fresco na minha memória, Lovrecraft teria orgulho.

Mais uma vez King nos presenteou com uma obra contendo personagens críveis, convincentes e cativantes, uma narrativa de alto nível, e diálogos deliciosos de se ler.

Por volta de quase metade do livro que temos indícios de algo sobrenatural, e por isso, ao menos para mim, o livro melhora ainda mais. Aconselho aos leitores a lerem as últimas trinta páginas aterrorizantes de uma vez só, porque nelas se encontram um dos melhores momentos finais de um livro do King.

Outro conselho ao leitores: Para um melhor aproveitamento da obra, leiam antes de Revival alguns trabalhos de H.P. Lovecraft, mais especificamente os mitos de Cthulhu.

Revival é altamente recomendado ao fãs do gênero.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...